Avaliação
do Desenho na Psicoterapia
A
psicossomática estuda as relações corpo/mente, enfatizando a explicação
psicológica somática, sustentando que as funções corporais constituem a matéria
prima das representações psíquicas. O termo também se refere a uma ruptura
corpo/organismo. A raiva, falta de afeto contínuo, medo, rejeição, alteram os
centros e as glândulas endócrinas, não sendo mais possível o retorno à um bem
estar. Corpo e mente se articulam para produzir prazer, sofrimento, saúde, lesão
ou doença. As perdas emocionais enfraquecem o ego, fragilizando o corpo, na
medida em que seu espaço simbólico carece de objetos amorosos e protetores. O
mundo pode ser insuportável ou idealizado, onde o organismo não consegue
acionar as defesas necessárias.
A
etiologia da doença é o conflito entre Eros e Tanathos. Os conflitos nascem no
nosso interior, pelas desarmonias internas e doentias de pensamentos e emoções,
causando as doenças psíquicas e/ou físicas. Os efeitos fisiológicos das emoções
repercutem em todos os níveis do organismo. Sentimentos como raiva, medo, dor,
fome, tristeza, preocupação podem provocar diferentes alterações no
funcionamento do organismo como diarreia, vômito, enxaqueca, gastrite,
constipação intestinal, podendo provocar despertamento de diferente emoções
como insegurança, depressão, introversão, tensão, inadequação, pressão
ambiental, afastamento do contato social, isolamento emocional, afastamento das
trocas interpessoais, ansiedade, hesitação, prisão ao passado, vivências depressivas
entre outras.
Muitas
vezes essas manifestações podem estar relacionadas a traumas psíquicos
vivenciados desde a concepção, enquanto bebê, na infância ou adolescência, na
interação com os pais, com o ambiente, o meio social, seu psiquismo, sua personalidade.
O sofrimento físico/psíquico traz um estado de desassossego íntimo de desamor a
si próprio, insatisfação interior, inadaptação a realização pessoal, afetiva,
profissional, social, produzindo
conflitos interiores.
Toda
essa informação, sofrimento, está no inconsciente do indivíduo motivado pelos
traumas vivenciados desde a sua concepção. Traumas que vão se sobrepondo ao
longo de sua vida, fazendo-o inseguro, insatisfeito. Uma comunicação do
interior para o exterior.
Através
de desenhos projetivos é possível estabelecer uma comunicação do exterior para
o interior, caminho inverso, já que quando desenhamos é o inconsciente se
manifestando através dos traços desenhados. Na sua projeção é possível avaliar
conteúdos significativos dos conflitos e
as fases em que foram originados os
traumas e suas consequências hoje. A partir daí, se é trabalhado com as
terapias integradas (psicoterapia, florais e homeopatia), na dissolução e
compreensão daqueles conflitos, liberando-os, para que possa assim o indivíduo
construir o seu mundo com seus conteúdos
próprios e não com os conteúdos que lhe foram depositados através dos pai, avós,
professores, amigos etc., como medos, limites, crenças, imposições, autoridades,
inseguranças, agressões verbais e físicas, responsabilidades.
A
técnica do desenho ajuda na avaliação de como o indivíduo percebe e compreende
o mundo. São importa seu aspecto estético, mas as relações psíquicas, mental,
emocional, intelectual, social e cultural na sua visão do mundo em que está
inserido e a satisfação ou insatisfação que seu mundo lhe propicia. Sua
interpretação tem as bases fundamentais como uso dos significados dos símbolos,
sonhos, fantasias, atividades
influenciadas por determinação do inconsciente, depressão, frustração,
obsessão, punição, compulsão, comportamento, medo, projeção de si mesmo,
conflitos em áreas do corpo, tensão, inadequação sexual, agressividade,
agressividade reprimida, rejeição, stress situacional, sentimento de castração.
Cada linha, cada traço, cada parte de suas relações com as outras partes, o
aspecto da composição como um todo apresenta um efeito na sua integração total.
Após
um período de tratamento com as terapias integradas, é refeito o teste para
nova avaliação das transformações efetuadas, das questões trazidas a
apresentadas no teste anterior, como mudanças emocionais e comportamentais;
O
desenho não é uma linguagem verbal ou escrita mas expressa, através do
inconsciente, apresentando uma forma mais primitiva do nosso interior, podendo
ser aplicada à todos os indivíduos, com ou sem escolaridade, crianças e
adultos, mudos, tímidos, retraído, pessoas que se sentem inadequadas em relação
a sua capacidade de expressar-se verbalmente, aqueles de orientação concreta,
bloqueios emocionais e sociais, pessoas evasivas, deficiente mentais.
Dessa
forma, a avaliação do desenho na psicoterapia, contribui para uma
intercomunicação profissional, entre terapeuta e paciente mais aprofundada,
férteis resultados clínicos, indicações mais seguras e objetivas para a linha
de tratamento adequada e resultados
rápidos e eficazes.
Aridinéa
Vacchiano é psicóloga clínica e psicossomática
Especialista
em Medicina Chinesa
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