domingo, 1 de setembro de 2013

AVALIAÇÃO DO DESENHO NA PSICOTERAPIA


              Avaliação do Desenho na Psicoterapia

 

A psicossomática estuda as relações corpo/mente, enfatizando a explicação psicológica somática, sustentando que as funções corporais constituem a matéria prima das representações psíquicas. O termo também se refere a uma ruptura corpo/organismo. A raiva, falta de afeto contínuo, medo, rejeição, alteram os centros e as glândulas endócrinas, não sendo mais possível o retorno à um bem estar. Corpo e mente se articulam para produzir prazer, sofrimento, saúde, lesão ou doença. As perdas emocionais enfraquecem o ego, fragilizando o corpo, na medida em que seu espaço simbólico carece de objetos amorosos e protetores. O mundo pode ser insuportável ou idealizado, onde o organismo não consegue acionar as defesas necessárias.

A etiologia da doença é o conflito entre Eros e Tanathos. Os conflitos nascem no nosso interior, pelas desarmonias internas e doentias de pensamentos e emoções, causando as doenças psíquicas e/ou físicas. Os efeitos fisiológicos das emoções repercutem em todos os níveis do organismo. Sentimentos como raiva, medo, dor, fome, tristeza, preocupação podem provocar diferentes alterações no funcionamento do organismo como diarreia, vômito, enxaqueca, gastrite, constipação intestinal, podendo provocar despertamento de diferente emoções como insegurança, depressão, introversão, tensão, inadequação, pressão ambiental, afastamento do contato social, isolamento emocional, afastamento das trocas interpessoais, ansiedade, hesitação, prisão ao passado, vivências depressivas entre outras.

Muitas vezes essas manifestações podem estar relacionadas a traumas psíquicos vivenciados desde a concepção, enquanto bebê, na infância ou adolescência, na interação com os pais, com o ambiente, o meio social, seu psiquismo, sua personalidade. O sofrimento físico/psíquico traz um estado de desassossego íntimo de desamor a si próprio, insatisfação interior, inadaptação a realização pessoal, afetiva, profissional, social,  produzindo conflitos interiores.

Toda essa informação, sofrimento, está no inconsciente do indivíduo motivado pelos traumas vivenciados desde a sua concepção. Traumas que vão se sobrepondo ao longo de sua vida, fazendo-o inseguro, insatisfeito. Uma comunicação do interior para o exterior.

Através de desenhos projetivos é possível estabelecer uma comunicação do exterior para o interior, caminho inverso, já que quando desenhamos é o inconsciente se manifestando através dos traços desenhados. Na sua projeção é possível avaliar conteúdos significativos dos  conflitos e as fases  em que foram originados os traumas e suas consequências hoje. A partir daí, se é trabalhado com as terapias integradas (psicoterapia, florais e homeopatia), na dissolução e compreensão daqueles conflitos, liberando-os, para que possa assim o indivíduo construir o seu mundo  com seus conteúdos próprios e não com os conteúdos que lhe foram depositados através dos pai, avós, professores, amigos etc., como medos, limites, crenças, imposições, autoridades, inseguranças, agressões verbais e físicas, responsabilidades.
 
A técnica do desenho ajuda na avaliação de como o indivíduo percebe e compreende o mundo. São importa seu aspecto estético, mas as relações psíquicas, mental, emocional, intelectual, social e cultural na sua visão do mundo em que está inserido e a satisfação ou insatisfação que seu mundo lhe propicia. Sua interpretação tem as bases fundamentais como uso dos significados dos símbolos, sonhos, fantasias,  atividades influenciadas por determinação do inconsciente, depressão, frustração, obsessão, punição, compulsão, comportamento, medo, projeção de si mesmo, conflitos em áreas do corpo, tensão, inadequação sexual, agressividade, agressividade reprimida, rejeição, stress situacional, sentimento de castração. Cada linha, cada traço, cada parte de suas relações com as outras partes, o aspecto da composição como um todo apresenta um efeito na sua integração total.

Após um período de tratamento com as terapias integradas, é refeito o teste para nova avaliação das transformações efetuadas, das questões trazidas a apresentadas no teste anterior, como mudanças emocionais e comportamentais;

O desenho não é uma linguagem verbal ou escrita mas expressa, através do inconsciente, apresentando uma forma mais primitiva do nosso interior, podendo ser aplicada à todos os indivíduos, com ou sem escolaridade, crianças e adultos, mudos, tímidos, retraído, pessoas que se sentem inadequadas em relação a sua capacidade de expressar-se verbalmente, aqueles de orientação concreta, bloqueios emocionais e sociais, pessoas evasivas, deficiente mentais.

Dessa forma, a avaliação do desenho na psicoterapia, contribui para uma intercomunicação profissional, entre terapeuta e paciente mais aprofundada, férteis resultados clínicos, indicações mais seguras e objetivas para a linha de tratamento adequada  e resultados rápidos e eficazes.

Aridinéa Vacchiano é psicóloga clínica e psicossomática

Especialista em Medicina Chinesa



 

 

 

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